sexta-feira, 5 de outubro de 2012

HISTÓRIA E CURIOSIDADES SOBRE AS ELEIÇÕES

Partidos

Fase monárquica - É a primeira fase e começou em 1837. As rebeliões provinciais da regência possibilitaram a formação de dois grandes partidos – o Conservador e o Liberal –, que dominaram a vida política até o final do Império. O aparecimento de um Partido Progressista e a fundação, em 1870, do Partido Republicano, completaram o quadro partidário do Império.
Segunda fase - Ocorreu na Primeira República, de 1889 a 1930. Nesta fase existiam partidos estaduais. Foram frustradas as tentativas de organização de partidos nacionais, entre estas a de Francisco Glicério, com o Partido Republicano Federal, e a de Pinheiro Machado, com o Partido Republicano Conservador.
Terceira Fase - A terceira formação partidária se deu na Segunda República, com agremiações nacionais de profunda conotação ideológica: a Aliança Nacional Libertadora e o Integralismo. A legislação eleitoral, pela primeira vez, fez referência à possibilidade de apresentação de candidatos por partidos ou por alianças de partidos.
Quarta Fase - Com o golpe de 1937 e a instalação da Terceira República, houve o único hiato em nossa trajetória partidária. Com a Quarta República, a redemocratização trouxe, em 1945, a exclusividade da apresentação dos candidatos pelos partidos políticos. Nessa, que seria a quarta formação partidária do País, ocorreu a explosão de um multipartidarismo com 13 legendas.
Quinta Fase - O golpe militar de 1964 iniciou a quinta fase partidária, com o bipartidarismo, que segundo alguns teria sido "uma admiração ingênua do Presidente Castello Branco pelo modelo britânico" e segundo outros teria sido uma "mexicanização". A Arena seria assim o projeto brasileiro de um futuro PRI (Partido Revolucionário Institucional). As sublegendas – mecanismo utilizado para acomodar as diferenças internas nos dois partidos de então, Arena e MDB – foram copiadas do modelo uruguaio. Imitação do sistema alemão.
Sexta Fase - Se deu pela reforma de 1979. Buscou-se imitar o sistema alemão de condicionar a atuação dos partidos ao alcance de um mínimo de base eleitoral.
Sétima Fase - É a atual e começou em 1985, com a Emenda Constitucional nº 25, com o alargamento do pluripartidarismo.

Leis

Primeira Lei Eleitoral do Império - A primeira Lei Eleitoral do Império, de 1824, manda proceder à eleição dos deputados e senadores da Assembléia Geral Legislativa e dos membros dos conselhos gerais das províncias.
A votação foi feita por lista assinada pelos votantes, que continha tantos nomes quantos fossem os eleitores que a paróquia deveria dar. O voto era obrigatório. No caso de impedimento, o eleitor comparecia por intermédio de seu procurador, enviando sua lista assinada e reconhecida por tabelião.
O voto por procuração só deixou de existir em 1842, época em que se estabeleceram as juntas de alistamento, formadas por um juiz de paz do distrito, que era o presidente, um pároco e um fiscal.
Lei dos Círculos e Lei do Terço - Em 1855, foi instituído o voto distrital, por meio da chamada Lei dos Círculos. A Lei do Terço, de 1875 (que tem seu nome derivado do fato de que o eleitor votava em dois terços do número total dos que deveriam ser eleitos).
Todo eleitor que estiver fora de seu domicílio eleitoral no dia da eleição tem de justificar sua ausência. Para isso basta que, no dia da votação, se dirija a qualquer local destinado ao recebimento de justificativa eleitoral e entregue o Formulário Requerimento de Justificativa Eleitoral devidamente preenchido. Vale lembrar que é necessário levar o título eleitoral e um documento oficial de identificação com foto.
A República Velha (1889-1930) - A Proclamação da República inaugurou um novo período da nossa legislação eleitoral, que passou a inspirar-se em modelos norte-americanos.
A primeira inovação eleitoral trazida pela República foi a eliminação do "censo pecuniário" ou "voto censitário". Em 1890, o chefe do governo provisório, Marechal Deodoro da Fonseca, promulgou o regulamento eleitoral organizado por Aristides Lobo, o Decreto nº 200-A, considerado a primeira Lei Eleitoral da República e que tratava unicamente da qualificação dos eleitores.
Regulamento Alvim - Faltava ainda uma lei que presidisse a eleição dos constituintes, marcada para setembro. Em 23 de junho de 1890, ela foi publicada. Ficou conhecida como "Regulamento Alvim", em referência ao ministro e secretário de Estado dos Negócios do Interior, José Cesário de Faria Alvim, que a assinou.
O art. 62 dessa lei dispunha: "Aos cidadãos eleitos para o primeiro Congresso, entendem-se conferidos poderes especiais para exprimir a vontade nacional acerca da Constituição publicada pelo Decreto nº 510, de 22 de junho do corrente, bem como para eleger o primeiro presidente e o vice-presidente da República".
Eleição de Deodoro - Eleita em 15 de setembro de 1890, uma das primeiras tarefas da constituinte foi dar respaldo ao governo provisório, promulgando a Constituição de 1891 e elegendo Deodoro da Fonseca no dia seguinte.
A primeira Constituição Republicana criou o sistema presidencialista, em que o presidente e o vice-presidente deveriam ser eleitos pelo sufrágio direto da nação, por maioria absoluta de votos; atribuiu ao Congresso Nacional a regulamentação do processo eleitoral para os cargos federais em todo o país e aos estados a legislação sobre eleições estaduais e municipais.
A "política dos governadores" - Durante a Velha República, também chamada de Primeira República, prevaleceu um esquema de poder que ficou conhecido como "política dos governadores", montado por Campos Salles, eleito em 1898: o presidente da República apoiava os candidatos indicados pelos governadores nas eleições estaduais e estes davam suporte ao indicado pelo presidente nas eleições presidenciais.
Coronelismo - O plano dependia da ação dos coronéis, grandes proprietários de terras cujo título derivava de sua participação na Guarda Nacional (instituição que durante o Império assegurava a ordem interna).
"Degolas" - O trabalho da Comissão de Verificação de Poderes do Congresso consistia, na realidade, em negação da verdade eleitoral, pois representava a etapa final de um processo de aniquilamento da oposição, chamado de "degola", executado durante toda a República Velha.
Justiça Eleitoral - Em 1916, o Presidente Wenceslau Brás, preocupado com a seriedade do processo eleitoral, sancionou a Lei nº 3.139, que entregou ao Poder Judiciário o preparo do alistamento eleitoral. Por confiar ao Judiciário o papel de principal executor das leis eleitorais, muitos percebem nessa atitude o ponto de partida para a criação da Justiça Eleitoral, que só viria a acontecer em 1932.

Curiosidades

Celina, a primeira mulher a ter direito ao voto- Com o advento da Lei nº 660, de 25 de outubro de 1927, o Rio Grande do Norte foi o primeiro Estado que, ao regular o "Serviço Eleitoral no Estado".
E estabeleceu que não haveria mais "distinção de sexo" para o exercício do sufrágio.Segundo pesquisa do escritor João Batista Cascudo Rodrigues, o histórico despacho foi vazado nestes termos:
"Tendo a requerente satisfeito as exigências da lei para ser eleitora, mando que inclua-se nas listas de eleitores. Mossoró, 25 de novembro de 1927." — Israel Ferreira Nunes
Aprovada a Lei, várias mulheres requereram suas inscrições e a 25 de novembro de 1927. As eleitoras compareceram às eleições de 5 de abril de 1928, mas seus votos foram anulados pela Comissão de Poderes do Senado. Somente com o Código Eleitoral de 1932, é que "o cidadão maior de 21 anos, sem distinção de sexo…" poderia votar efetivamente.
Quanto à questão de ter se tornado, de repente, a primeira mulher do país a votar, Celina confessou:
"Eu não fiz nada! Tudo foi obra de meu marido, que empolgou-se na campanha de participação da mulher na política brasileira e, para ser coerente, começou com a dele, levando meu nome de roldão. Jamais pude pensar que, assinando aquela inscrição eleitoral, o meu nome entraria para a história. E aí estão os livros e os jornais exaltando a minha atitude. O livro de João Batista Cascudo Rodrigues - A Mulher Brasileira - Direitos Políticos e Civis - colocou-me nas alturas. Até o cartório de Mossoró, onde me alistei, botou uma placa rememorando o acontecimento. Sou grata a tudo isso que devo exclusivamente ao meu saudoso marido."
Presidente do TSE, presidente do Brasil - Você sabia que, há 61 anos, um presidente do TSE exerceu o cargo de presidente da república?
O ministro José Linhares tomou posse, no posto máximo do executivo federal em 31 de janeiro de 1946, devido a um golpe liderado pelo general Góis Monteiro, que afastou Getúlio Vargas da presidência e transmitiu o poder ao presidente do STF.
Pressionado por setores políticos oposicionistas e por movimentos civis, em prol da redemocratização, Getúlio Vargas anunciou a realização de eleições. No entanto, o próprio Getúlio comunicou ao ministro da guerra, Góis Monteiro, que decidira “interromper o processo eleitoral que se desenvolvia no país, por considerar inoportunas as eleições de 2 de dezembro de 1945”. Foi o estopim para o golpe quer depôs Getúlio Vasgas e transmitiu o poder ao presidente do STF, que, por força do disposto no decreto-lei n.º 7.586/45, também era o presidente do TSE. José Linhares permaneceu no cargo até 31 de janeiro de 1946.
A primeira prefeita do Brasil - D. Alzira Soriano de Souza foi a primeira mulher a ocupar um cargo eletivo na América do Sul eleita para o cargo de prefeito do município de Lajes, no Rio Grande do Norte.
Eleita com mais de 60% dos votos, a eleição dela foi tema do jornal The New York Times, que atribuiu a eleição da primeira mulher na América Latina à influência do movimento sufragista americano no Brasil.
Brasil, 500 anos de voto - O livre exercício do voto surgiu em terras brasileiras logo depois da chegada dos colonizadores, como resultado da tradição portuguesa de eleger os administradores dos povoados sob domínio luso.
Os colonizadores portugueses, mal pisavam a nova terra descoberta, passavam logo a realizar votações para eleger os que iriam governar as vilas e cidades que fundavam. Os bandeirantes paulistas, por exemplo, iam em suas missões imbuídos da idéia de votar e de serem votados. Quando chegavam ao local em que deveriam se estabelecer, seu primeiro ato era realizar a eleição do guarda-mor regente. Somente após esse ato eram fundadas as cidades, já sob a égide da lei e da ordem. Eram estas eleições realizadas para governos locais.
As primeiras eleições - As eleições para governanças locais foram realizadas até a Independência. A primeira de que se tem notícia aconteceu em 1532, para eleger o Conselho Municipal da Vila de São Vicente/SP.
As pressões populares e o crescimento econômico do país, contudo, passaram a exigir a efetiva participação de representantes brasileiros nas decisões da corte. Assim, em 1821, foram realizadas eleições gerais para escolher os deputados que iriam representar o Brasil nas cortes de Lisboa. Essas eleições duraram vários meses devido ao sistema utilizado à época: o de quatro graus, isto é, que os cidadãos de cada freguesia (sem restrição de votos) nomeavam os compromissários; que por sua vez escolhiam os eleitores de paróquia, e estes designavam os eleitores da comarca, e, finalmente, estes últimos elegiam os deputados. Por conta da morosidade do processo algumas províncias sequer chegaram a eleger seus deputados.
Bandos, antes de partidos políticos - Os partidos políticos no Brasil têm suas origens nas disputas entre duas famílias paulistas, a dos Pires e a dos Camargos, representados ao lado no desenho de Wasth Rodrigues.
Eram verdadeiros bandos, com o uso da força e da violência, eles formaram os primeiros grupos políticos rivais. A expressão "partido político" só passou a constar nos textos legais a partir da Segunda República. Até então, só se falava em "grupos". Admitiram-se durante muito tempo candidaturas avulsas, porque os partidos não detinham a exclusividade da indicação daqueles que iriam concorrer às eleições, o que só ocorreu após a edição do Decreto-Lei nº 7.586, que deu aos partidos o monopólio da indicação dos candidatos.
Nas primeiras eleições em 1821, a pessoa que quisesse ser eleitor, ou candidato a deputado da Assembléia Constituinte e Legislativa do Brasil(único cargo eletivo na ocasião) tinha que se adequar a algumas exigências, tais como:
  • Ser maior de 25 anos;
  • Para ser eleitor era necessário ter uma renda anual mínima (voto era censitário);
  • Para se eleger deputado exigia-se que se tivesse renda líquida de 400 mil réis e que professasse a religião católica apostólica romana.
A constituição de 1824, outorgada por D. Pedro I, estabelecia eleições indiretas em dois graus:
* Onde votantes deveriam eleger os eleitores das províncias e estes os representantes da nação e província.
* Os libertos que tivessem a renda exigida podiam votar nas eleições de 1ºgrau, mas escravos e mulheres não.
* Os deputados eleitos fariam parte das Cortes Gerais extraordinárias e Constituintes da Nação Portuguesa com o objetivo de redigir e aprovar a 1ª carta constitucional da monarquia portuguesa.
O Tribunal Superior Eleitoral, em publicação no Diário de Justiça, recomendou aos seus servidores que se abstivessem de discussões e conversas no recinto da repartição sobre assuntos de orientação e política partidária. Esta determinação aconteceu no ano de 1955.

MORTE DE ERIC HOBSBAWN

Eric Hobsbawn - 95 anos
Em entrevista à imprensa, a filha de Hobsbawn, Julia, disse que seu pai morreu no início da manhã no Royal Free Hospital, onde ele se tratava de uma pneumonia. "Sua ausência será imensamente sentida não só por sua esposa de mais de 50 anos, Marlene, por seus três filhos, sete netos e bisnetos, mas também por muitos leitores e estudantes ao redor do mundo", informou um comunicado da família. A reputação do historiador deve-se, principalmente, a quatro obras escritas por ele, entre elas "Era dos Extremos: o Breve Século 20: 1914 - 1991", livro que foi traduzido em 40 línguas.

De família judia, Hobsbawm nasceu na cidade de Alexandria, no Egito, em 1917, o mesmo ano da Revolução Russa, que representou a derrocada do czarismo e o início do comunismo no país. Não por coincidência, a vida do historiador e seus trabalhos foram moldados dentro de um compromisso duradouro com o socialismo radical. O pai de Hobsbawm, o britânico Leopold Percy, e sua mãe, a austríaca Nelly Grün, mudaram-se para Viena, na Áustria, quando o historiador tinha dois anos e, logo depois, para Berlim, na Alemanha.

Hobsbawm aderiu ao Partido Comunista aos 14 anos, após a morte precoce de seus pais. Na ocasião, ele foi morar com seu tio. Em 1933, com o início da ascensão de Hitler na Alemanha, ele e seu tio mudaram-se para Londres, na Inglaterra. Após obter um PhD da Universidade de Cambridge, tornou-se professor no Birkbeck College em 1947 e, um ano depois, publicou o primeiro de seus mais de 30 livros. Hobsbawm foi casado duas vezes e teve três filhos, Julia, Andy e Joshua.

Na década de 80, Hobsbawm comentou sobre sua fuga da Alemanha. "Qualquer um que viu a ascensão de Hitler em primeira mão não poderia ter sido ajudado, mas moldado por isso, politicamente. Esse garoto ainda está aqui dentro em algum lugar - e sempre estará".

Obra

Entre as obras mais conhecidas de Hobsbawm, estão os três volumes sobre a história do século 19 e "Era dos Extremos", que cobriu oito décadas da Primeira Guerra Mundial ao colapso da União Soviética. Já como presidente do Birkbeck College, ele publicou seu último livro, "Como mudar o mundo - Marx e o marxismo 1840-2011", no ano passado.

O historiador afirmou que ele tinha vivido "no século mais extraordinário e terrível da história humana". Marxista inveterado, ele reconheceu a derrocada do comunismo no século 20, mas afirmou não ter desistido de seus ideais esquerdistas. Em abril deste ano, Hobsbawm disse ao colega historiador Simon Schama que ele gostaria de ser lembrado como "alguém que não apenas manteve a bandeira tremulando, mas quem mostrou que ao balançá-la pode alcançar alguma coisa, ao menos por meio de bons livros".

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

ALICE NO PAÍS DAS MARAVILHAS

Olá meus jovens! A proposta desta semana é conversar um pouco sobre diversas situações que nos "atacam" nesta reta final. Um dos pontos temáticos de nossa sociedade é o planejamento. Como forma de injetar uma problemática e discussão acerca dela, no post abaixo há um texto que serve como inicial. Gostaria que dissertassem tendo alguns pontos como referência, que coloco aqui, escolha um destes e seja feliz.... temos até o dia 05/10/2012!
 


Leia trecho da fábula Alice no país das maravilhas.
Alice encontra o Gato de Cheshire (Cheshire é um lugar da Inglaterra), um gato que aparece e desaparece, às vezes de repente, às vezes aos poucos, deixando apenas um sorriso no ar. Alice pensa que já viu muitos gatos sem sorriso algum, mas nunca viu um sorriso sem gato. Alice pergunta ao gato qual caminho ela toma para sair dali. O gato responde que isso depende para onde ela quer ir. Alice fala que não importa, quer apenas sair dali. O gato responde que, nesse caso, qualquer caminho serve. (CAROLL, Lewis. Alice no país das maravilhas. Rio de Janeiro: Jorge Zahar, 2002.)


Pode-se inferir do relato do diálogo entre Alice e o Gato que:

1. o fracasso de um planejamento é conseqüência da falta de um conjunto de objetivos claramente definidos.


2. para definir um planejamento, não há necessidade de mensurar os objetivos.

3.  o resultado de um planejamento independe dos objetivos estabelecidos.
 
4. os objetivos são resultados imediatos que se pretende atingir quando se estabelece um planejamento.
 
 

TRABALHO COLETIVO 3

 O dilema de Alice
Alice: Poderia me dizer, por favor, qual é o caminho para sair daqui?
Gato: Isso depende muito do lugar para onde você quer ir.
Alice: Não me importa muito onde.
Gato: Nesse caso, não importa por qual caminho você vá.
Gato: O que importa é você ter força para chegar lá.

Quando se aproxima a conclusão do ensino médio para muitos brasileiros é dada a largada na corrida em busca da aprovação no vestibular, a porta de entrada para a universidade e, na vida dos jovens, um passo importante para o futuro. Nesse momento começam também as neuroses mais acentuadas, as crises de ansiedade e as expectativas que tomam conta dos vestibulandos e fazem desse processo de seleção um momento cercado de angustias e incertezas.
Nas últimas décadas cresceu consideravelmente a concorrência nas principais instituições públicas de ensino superior, e por outro lado aumentaram também as facilidades de se conseguir uma vaga mesmo em universidades privadas. Cresceu junto o “mercado do vestibular” e com ele cursinhos, revisões, materiais de apoio e tudo o que se possa imaginar, isso sem falar das escolas que oferecem turmas de ensino médio e que passaram a investir pesado na preparação para o vestibular. Além de tudo, há pouco tempo o Enem, a famosa prova de avaliação do ensino médio, passou a ser também uma porta de entrada ao ensino superior.
Com toda essa gama de possibilidades diante de um jovem que beira aos 17 ou 18 anos, surge uma grande questão que tem ganhado força nos últimos anos: será que nessa idade já é possível ter certeza daquilo que se quer fazer pelo resto da vida? A vida exige continuamente respostas de nós, e todas as nossas respostas dependem da nossa escolha essencial, do nosso primeiro “sim”, por que só a partir dele podemos dizer “não”.
A falta de motivações suficientes leva, de fato, muita a gente a desistir pelo meio do caminho, ou até mesmo a se perder nele, muitos universitários que abandonam ou trocam de curso e muita gente infeliz na sua própria escolha. É preciso saber aonde se quer chegar por que são muitos os caminhos, porém se não se sabe aonde se quer ir qualquer caminho serve, lembra o Gato de Cheshire do clássico infantil “Alice no País das Maravilhas”.
A dinâmica de mundo hoje é a “sociedade do fast food”, tudo se dá de maneira incrivelmente veloz, inclusive as escolhas. E há quem diga que o importante não é, em si, entrar na universidade, isso é uma idéia que vem depois, o importante mesmo é passar no vestibular, e que os planos e projetos têm de estar de acordo com o nível de vida que se quer ter, o que leva muita gente a procurar os cursos de maior visibilidade no mercado simplesmente para construir carreira e ganhar muito dinheiro, mas isso não é tudo.
É bem verdade que as possibilidades são muitas e cada dia aumentam mais, e são como aquela garotinha a beira da praia recolhendo conchas, quando avista a mais bela estrela-do-mar é incapaz de pega-la, pois já está com as mãos cheias.
 

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

20 DE SETEMBRO

Durante a chamada Guerra dos Farrapos no Rio Grande do Sul (1835-45), quando um homem livre era chamado a servir tanto nas forças rebeldes quanto nas imperiais, podia enviar em seu lugar (ou no lugar de um filho seu) um de seus trabalhadores escravizados. Em alguns casos, o alforriavam e alistavam. Também foi prática comum buscar atrair ou tomar cativos das tropas inimigas, trazendo-os para seu lado. O primeiro exército a utilizar negros escravizados como soldados foram os imperiais. Precisando também formar uma infantaria e sobretudo preferindo enviá-los como bucha-de-canhão, morrendo na frente em seu lugar, farrapos também os alistaram: eram os famosos Lanceiros Negros. Ambos, farrapos ou imperiais, prometiam também liberdade aqueles que desertassem das tropas rivais, mudando de lado.
A maioria dos cativos que combateu nesta guerra foi obrigada a fazê-lo diante das condições impostas. Por outro lado, apesar da guerra ser horrível e violenta, era até preferível a vida militar, com seus esporádicos combates, do que as agruras diárias da escravidão. A promessa de liberdade após o fim da luta certamente pode ter influenciado em muito o recrutamento daqueles homens. Uma promessa, aliás e como veremos, jamais cumprida.
Não havia igualdade nas tropas farroupilhas, muito menos democracia racial. Negros e brancos marchavam, comiam, dormiam, lutavam e morriam separadamente. Os oficiais dos combatentes negros eram brancos, e jamais um negro chegou a um posto significante, mesmo que intermediário, de comando. Aos Lanceiros Negros era vedado o uso de espadas e armas de fogo de grande porte. Não lutavam a cavalo, como costumam mostrar nos filmes e mini-séries de TV, mas sim a pé, pois havia o risco de se rebelar ou fugir. Sua arma principal era a grande lança de madeira que lhes deu nome e fama, algumas facas, facões, pequenas garruchas, os pés descalços, a bravura e o anseio pela liberdade prometida.
Seria anacronismo se quiséssemos que líderes farroupilhas tivessem um comportamento ou posições políticas avançadas e assim diferentes das existentes em seu tempo, mas defesa da Abolição da escravidão era bem conhecida e nada alienígena na época. Uma Abolição começou a ser decretada em Portugal em 1767, proibindo que fossem enviados para o reino mais cativos vindos da África, e em 1773 foi decretada uma Lei do Ventre Livre naquele país. Na Dinamarca, isso se deu em 1792. Na França, em 1794 (ainda que Napoleão tenha tentado restabelecer a escravidão no Haiti em 1802). No México, uma primeira tentativa de Abolição foi feita em 1810, mas foi finalmente vitoriosa em 1829. Bolívar libertou cativos em 1816-7, durante suas lutas por independência, e finalmente aboliu a escravatura em 1821. A Inglaterra, que havia findado a escravidão pouco antes da Revolta dos Farrapos, pressionava o Brasil pelo fim do tráfico negreiro desde 1808. Willian Wilbeforce, um dos maiores abolicionistas da história, morreu em 1833, ou seja, dois anos antes da guerra no Sul do Brasil. Farrapos, portanto, conheciam, sim, e muito bem o abolicionismo.
Entretanto,os principais chefes farrapos, Bento Gonçalves, Canabarro, Gomes Jardim e até Netto, dentre outros, eram todos ferrenhos escravistas. Quando aprisionado e enviado para a Corte no Rio de Janeiro, Bento Gonçalves teve o direito de levar consigo um de seus cativos para lhe servir. Ao morrer, o mais conhecido líder farroupilha deixou terras, gado e quase cinqüenta trabalhadores escravizados de herança aos seus familiares. Bem diferente do que fizera Artigas no Uruguai anos antes, os farrapos jamais propuseram uma reforma agrária ou mesmo uma distribuição de terras entre seus soldados, mesmo os brancos pobres, que dirá os negros. A defesa da escravidão era tão clara entre os chefes farrapos a ponto deles jamais sequer terem mencionado o fim do tráfico negreiro.
Ao fim da guerra e já quase totalmente derrotados, os farrapos incluíram entre suas exigências para o Império o cumprimento da promessa de liberdade que haviam feitos aos Lanceiros (principalmente porque temiam que eles formassem uma guerrilha negra na província já que a quebra da promessa os faria se rebelar ou fugir para o Uruguai, destino comum de diversos cativos fugitivos na época). Queriam entregar-se ao Império, acabar a guerra, voltar à normalidade, mas tinham os Lanceiros e a promessa que lhes haviam feito, e o Império, escravista até a medula, não queria cumprir essa parte do acordo.
Que fazer então? A questão foi resolvida na madrugada de 14 de novembro de 1844, quando o general farrapo David Canabarro entregou seus Lanceiros desarmados ao inimigo, tudo previamente combinado com Caxias. E no serro de Porongos, hoje região de Pinheiro Machado (interior do Rio Grande do Sul), foi dizimada quase toda a infantaria negra, enterrando de vez a preocupação dos farrapos e acelerando assim a paz com o Império. A instrução de Caxias a um de seus comandados foi clara e objetiva: a batalha teria que ser conduzida de forma tal que poupar apenas e dentro do possível o sangue de brasileiros (e o negro era então tratado como africano, mesmo que já nascido no Brasil).
Alguns historiadores apologistas ou folcloristas de CTGs consideraram aquela traição como Surpresa, já que pela primeira vez que o então vigilante Davi Canabarro teria sido surpreendido pelo inimigo. Conversa fiada! Enquanto dispôs suas tropas negras de tal maneira que ficassem desarmadas e descobertas, algo que até então nunca havia feito, Canabarro se encontrava bem longe e seguro do local, nos braços de Papagaia, alcunha de uma amante sua.
Após o combate, um relato oficial avisou a Caxias que pelo menos 80% dos corpos caídos no campo de Porongos eram de homens negros. Calcula-se que, nos últimos anos daquela conflito, os farrapos ao todo somavam uns cinco mil homens, sendo que algo em torno de mil eram Lanceiros Negros. Após o Massacre de Porongos, porém, restaram apenas uns 120 deles, feridos, alguns mutilados, e que foram primeiramente enviados para uma prisão no centro do país e depois dispersados para outras províncias, ainda mantidos como cativos.
Feito isso, deu-se a chamada rendição e paz do Poncho Verde, onde senhores escravistas dos dois lados trocaram abraços e promessas de lealdade e, logo depois, marcharam juntos e sob a mesma bandeira imperial contra o Uruguai, Argentina e Paraguai.

Bibliografia
FACHEL, José Plínio Guimarães. Revolução Farroupilha. Pelotas: EGUFPEL, 2002.
FERREIRA, Hemerson. Da Revolta à Semana Farroupilha: entre tradição e a história. http://prod.midiaindependente.org/en/blue/2009/08/451359.shtml
FLORES, Moacyr & FLORES, Hilda Agnes. Rio Grande do Sul: aspectos da Revolução de 1893. Porto Alegre: Martins-Livreiro, 1993.
GOLIN, Tau. Bento Gonçalves, o herói ladrão. Santa Maria: LGR, 1983.
LEITMAN, Spencer. Raízes sócioeconómicas da Guerra dos Farrapos: um capítulo da história do Brasil no século XIX. Rio de Janeiro: Graal, 1979.
MAESTRI, Mário. "O negro escravizado e a Revolução Farroupilha". In: O escravo gaúcho: resistência e trabalho. Porto Alegre: UFRGS, 1993, pp76-82.

sábado, 15 de setembro de 2012

TRABALHO COLETIVO 2

Pessoal o primeiro trabalho foi bem produtivo, embora alguns apenas fizessem um apanhado do que existe na internet. Neste segundo desejo que façam uma reflexão sobre o texto abaixo retirado da revista Carta Capital. Usem o método dissertativo, sejam criativos, sejam felizes...
 

A FELICIDADE A QUALQUER PREÇO

No último sábado, andei por uma loja infantil de shopping center à procura de presentes para a filha de uns vizinhos que, no dia seguinte, completaria sete anos. Entre incontáveis prateleiras de brinquedos que cantam, dançam, gingam e contam piadas, havia uma pequena bancada com alguns livros que me chamou a atenção – e onde achei que encontraria, talvez, o presente mais original entre tantos das prateleiras.
Ao perceber minha curiosidade, a vendedora se aproximou e mostrou todos os exemplares de uma coletânea, feita para o público infantil, de histórias sobre princesas. Que, além de histórias, traziam seções de recorta-e-cola e espaços para colorir coroas em tamanho real, vestido, sapato, flores, arranjos. Tudo de princesa para princesa, ela explicou.

 
"Melancolia"
Olhei em volta e me dei conta da infinidade de referências a castelos e principados ao meu redor. Desisti do livro, imaginando que os sete anos já teriam sido tempo suficiente para desimpregnar o sonho do conto de fadas eventualmente já convertido em maturidade pela vizinha e as amigas da mesma idade.
Mudei de ideia ao ver, no dia seguinte, já no salão de festas, a mesma infinidade de referências aos encantos que imaginava enterrados. Era a perpetuação, flagrada na origem, das mesmas histórias sobre triunfos e heroísmos protagonizados por pessoas que há muito deixaram os sete anos e hoje narram os feitos de seus esforços homéricos para alugar palácios reais e preparar as melhores festas de casamento, aniversários ou festas de 15 anos em redutos plebeus.
É possível que o enfado em torno das conversas sobre investimento, retorno, conversas sobre a geometria da casa própria, álbum de fotos, buquês, brindes e limusines não tirasse da cama a melancolia de Justine, personagem vivida por Kirsten Dunst em “Melancolia”, no filme feito sob medida por Lars von Trier para ilustrar nossos dias de buscas por encantos eternos para preencher vidas vazias, e comuns. Não é à toa que, como lembra o filósofo Vladimir Safatle, em artigo recente na Folha de S.Paulo, que Lars Von Trier seja hoje um dos poucos cineastas “realmente necessários para nossa época”, capaz de provocar as melhores reflexões contemporâneas sobre moralidade e seus impasses.
No longa, o primeiro sinal de que algo está deslocado na indústria de sonhos pré-fabricados é lançado logo no início, quando a limusine que leva Justine e o marido Michael (Alexander Skarsgård) à festa de casamento – num casarão cercado por lagos, prados e campos de golfe – emperra numa estrada estreita, lamacenta e cheia de pedras. A limusine, como os sonhos, parece grande demais para uma realidade que se apresenta árida. Poucos ao redor de Justine parecem se dar conta disso, exceto ela – que, por motivos aparentemente incompreensíveis, mal disfarça o mal-estar dentro de seu próprio dia de princesa.
Cena do filme
Na impecável festa preparada para ela, patrocinada por um cunhado, John (Kiefer Sutherland) – o dono do casarão que não se cansa de dizer que a cerimônia lhe custou os olhos da cara – tudo parece sair das páginas de um livro baseado em sonhos. Do arranjo às músicas, passando pelos discursos sobre amores eternos feitos pelo marido, Lars von Trier cuidou de todos os detalhes da decoração para mostrar que nada se parece mais com o inferno do que aquela cerimônia. O pano de fundo está lá, impecável, mas a missão delegada à noiva soa algo como assustadora: ela é desafiada, a cada cena e a cada instante, a ser feliz, a rir o tempo todo, a ser como as pessoas gostariam de ser, e não são.
E o casamento, àquela altura, não é outra coisa se não a amostra grátis de uma felicidade comprada a prestações, da infância à vida adulta. Porque somente um sorriso de princesa é capaz de entorpecer os convidados, entre eles os pais da noiva que não escondem a infelicidade exposta por uma relação que não deu certo. Ou a irmã, Claire (Charlotte Gainsbourg), espécie de mestre de cerimônias, que se apoia no discurso da união familiar para esconder de si mesma o tédio a que está condenada ao lado do marido naquele “castelo” onde reina o vazio. Tudo mais ou menos como a estratosfera da audiência espalhada pelo Planeta que, por alguns instantes, imaginou que a vida poderia ser diferente da sua ao assistir, boquiaberta, ao casamento de Kate Middleton e o príncipe William, na Inglaterra.
Se em filmes anteriores o diretor dinamarquês expôs com precisão as pequenas tiranias incorporadas nas pequenas ilhas sociais nas quais um único personagem, aparentemente ingênuo, era forçado a engolir cada tapa da vida até a sua completa destruição moral e física – como fez em “Dogville”, “Manderlay” e “Dançando no Escuro” – desta vez é o personagem que se antecipa à fragilidade do mundo ao seu redor. Justine já não é a frágil Grace, que um dia acreditou que sua boa vontade a livraria da crueldade canina das pessoas à sua volta.
Diferentemente dela, Justine já percebeu que não tem a menor capacidade de curar as feridas da desagregação herdada pelos pais. Justine dá de ombros para as formalidades montadas ao seu entorno, e parece desconfiar que as esperanças depositadas na cerimônia não devem sobreviver ao primeiro sopro que exponha não só a fragilidade humana, mas a fragilidade dos próprios sonhos.
Numa das mais simbólicas cenas do filme, Justine confessa à irmã que mal consegue aproveitar a festa porque um fio cinza do vestido lhe aprisiona os movimentos. Todos parecem ter certeza sobre tudo, mas ela não. Por isso, lamenta que, apesar de sorrir o tempo todo, não consegue disfarçar o pavor que sente pela obrigação de estar feliz. Essa incapacidade é exposta nas pequenas fugas que realiza dentro da própria festa. (Que tal um banho de banheira entre a valsa e o corte do bolo? Ou uma escapada para uma rapidinha com um dos convidados enquanto o marido “recém-empossado” a espera?)
Entre regras e transgressões enclausuradas em sua própria festa, a ameaça de um planeta desconhecido – não por acaso batizado como Melancolia – atingir em cheio a Terra e acabar com a vida humana não é sequer capaz de fazê-la franzir a sobrancelha. Porque, no mundo que ela acaba de herdar, não é a sensação de finitude que a angustia, mas o seu contrário: a sensação de que tudo pode durar enquanto for eterno. Esse infinito nada mais é que a estrada estreita e sem-graça onde tentam encaixar a limusine, como se a felicidade fosse também insustentável num planeta despedaçado e que, no primeiro sinal de perigo (e catástrofe), cada um fatalmente correrá para um lado. Não é por acaso que justamente o cunhado, dono do castelo, pai e marido exemplar e que se gaba de patrocinar o regabofe, seja o primeiro a acusar o golpe quando desconfia que seus planos (e castelos) serão despedaçados caso haja a colisão entre planetas: justo ele, que na TV é ninguém menos que Jack Bauer, da série 24 horas…
O desapego pelas convenções é o que explica a indiferença de Justine em relação à sua felicidade forjada, mas também em relação à morte. Ela sabe que, perto do tédio e da covardia que a rodeia, a melancolia (que já foi chamada de “depressão com aura”) é apenas um alento. Só que isso não está escrito nos livros sobre princesas nem nos catálogos de decoração para a festa de nossos sonhos.
Texto de Matheus Pichonelli - Carta Capital

quarta-feira, 5 de setembro de 2012

ANÁLISE DOS MEIOS DE TRANSPORTE

Trabalho Coletivo - 3° ano Horto 2012

 
Vamos analisar a situação dos meios de transportes existentes no Brasil. Num primeiro momento navegue na internet e procure os diversos modais existentes em nosso país, em seguida estabeleça uma breve comparação entre eles e responda a seguinte pergunta: Como você observa a situação dos transportes no Brasil? Coloque em seu comentário a resposta! Boa viagem!

sábado, 10 de setembro de 2011

LINK INDICADO - CACHOEIRA DE FOGO

O aluno luiz Felipe Pozzebon indicou um link bem interessante e curioso. Posto aqui para compartilhar com vocês. Bom fim de semana a todos!
http://domescobar.blogspot.com/2010/08/impressionante-cachoeira-de-fogo-do.html

sexta-feira, 22 de julho de 2011

COMO LIDAR COM BRINCADEIRAS QUE MACHUCAM A ALMA

A criançada entra na sala eufórica. Você se acomoda na mesa enquanto espera que os alunos se sentem, retirem o material da mochila e se acalmem para a aula começar. Nesse meio tempo, um deles grita bem alto: "Ô, cabeção, passa o livro!" O outro responde: "Peraí, espinha". Em outro canto da sala, um garoto dá um tapinha, "de leve", na nuca do colega. A menina toda produzida logo pela manhã ouve o cumprimento: "Fala, metida!" Ao lado dela, bem quietinha, outra garota escuta lá do fundo da sala: "Abre a boca, zumbi!" E a classe cai na risada.
O ambiente parece normal para você? Então leia esta reportagem com atenção. O nome dado a essas brincadeiras de mau gosto, disfarçadas por um duvidoso senso de humor, é bullying. O termo ainda não tem uma denominação em português, mas é usado quando crianças e adolescentes recebem apelidos que os ridicularizam e sofrem humilhações, ameaças, intimidação, roubo e agressão moral e física por parte dos colegas. Entre as conseqüências estão o isolamento e a queda do rendimento escolar. Em alguns casos extremos, o bullying pode afetar o estado emocional do jovem de tal maneira que ele opte por soluções trágicas, como o suicídio.
Pesquisa realizada em 11 escolas cariocas pela Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e à Adolescência (Abrapia), no Rio de Janeiro, revelou que 60,2% dos casos acontecem em sala de aula. Daí a importância da sua intervenção. Mudar a cultura perversa da humilhação e da perseguição na escola está ao seu alcance. Para isso, é preciso identificar o bullying e saber como evitálo.
Em janeiro do ano passado, Edmar Aparecido Freitas, de 18 anos, entrou no colégio onde tinha estudado, em Taiúva (SP), e feriu oito pessoas com disparos de um revólver calibre 38. Em seguida, se matou. Obeso, ele havia passado a vida escolar sendo vítima de apelidos humilhantes e alvo de gargalhadas e sussurros pelos corredores. Atitudes semelhantes tiveram dois adolescentes norte americanos, na escola de Ensino Médio Columbine, no Colorado (EUA), em abril de 1999. Após matar13 pessoas e deixar dezenas de feridos, eles também cometeram suicídio quando se viram cercados pela polícia. Assim como o garoto brasileiro, os jovens americanos eram ridicularizados pelos colegas.
Os exemplos de Edmar e dos garotos de Columbine, que tiveram reações extremadas, são um alerta para os educadores. "Os meninos não quiseram atingir esse ou aquele estudante. O objetivo deles era matar a escola em que viveram momentos de profunda infelicidade e onde todos foram omissos ao seu sofrimento", analisa o pediatra Aramis Lopes Neto, coordenador do Programa de Redução do Comportamento Agressivo entre Estudantes, desenvolvido pela Abrapia.
No filme norte americano Bang Bang! Você Morreu, Trevor, o protagonista, é vítima de bullying. Para revidar, ameaça os que o perseguem com uma bomba de mentira. Diferentes dele são os que sofrem em silêncio e enfrentam com medo e vergonha o desafio de ir à escola. Em vez de reagir ou procurar ajuda, se isolam, ficam deprimidos, querem abandonar os estudos, não se acham bons para integrar o grupo, apresentam baixo rendimento e evitam falar sobre o problema.
"Quem mais sofre é quem menos fala. Esses passam despercebidos pelo professor", alerta a psicóloga Carolina Lisboa, professora da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e do Centro Universitário Feevale (RS). "Tinha vontade de ficar sozinha. Não queria ser notada", diz Vanessa Brandão Greco, da 7ª série da Escola Municipal de Ensino Fundamental Thomas Mann, no Rio de Janeiro. Ela recebia apelidos humilhantes por causa dos cabelos crespos.
Mesmo quem adere à brincadeira se sente diminuído pelos comentários dos colegas. Mas, para se defender, entra no jogo — o que dá uma falsa impressão de que não se ressente. "Eu ridicularizava os outros porque, se não fizesse isso, o alvo seria eu", conta Leandro Souza Gomes Santos, da 8ª série.
Vanessa e Leandro tiveram mais sorte que Trevor, o personagem do filme, já que a escola deles se engajou há dois anos no programa de combate ao bullying promovido pela Abrapia. "Nós não toleramos isso porque todos sentiram na pele como é melhor estar em um ambiente de respeito",afirma a diretora Maria das Graças Caldas Freire. É verdade. Pelos corredores, a garotada toda sabe, na ponta da língua, o que é bullying e por que evitálo. Nas áreas em que o professor não está presente, há alunos voluntários. Eles observam a movimentação e quando identificam o problema dialogam com o colega. "Pergunto: e se fosse com você?", explica Karol de Castro Façanha, da 7ª série,um dos 30 voluntários da escola.
Para se adequar a um local hostil, os jovens acabam adotando um comportamento diferente do que seria natural para eles. "O Leandro era um agitador. Só tirava notas baixas e era difícil lidar com ele”, lembra a professora de Geografia Rosana Mendes Ferreira. Ela notou que o programa adotado pela escola foi decisivo para o progresso do garoto, hoje com notas altas em diversas disciplinas. "E ainda nem cheguei aonde quero", ele afirma confiante. Já Vanessa deixou de lado a timidez. "Hoje eu acho que falo até demais", confessa aos risos.
Como o bullying ainda é tratado como um fenômeno natural, pouquíssimas escolas conhecem e combatem o problema. Hugo Vinícius de Souza Lins está na 5ª série. Ele entrou na Thomas Mann este ano e conta que na escola onde estudava antes nunca tinha ouvido falar no assunto. "Lá me davam apelidos e, apesar de não gostar, fazia a mesma coisa. Aqui parei com isso, porque acho errado incomodar quem não merece." Os alunos são orientados a ser receptivos e a integrar quem acaba de chegar explicando que ali não se tolera o bullying. Isso evita o isolamento e o pré julgamento do novato, que aprende a procurar ajuda.
As turmas já estão até organizando uma peça de teatro sobre o tema, que será apresentada para os pais e a comunidade. Os professores sugerem dinâmicas entre os adolescentes, estimulando o bom relacionamento, além de aplicar atividades que envolvam a questão. "Lendo as redações que eles produzem, consigo identificar o que sentem e se passam por algum problema", diz a professora de Língua Portuguesa Maria Pamphiro Veloso.
Segundo o pediatra Aramis Lopes Neto, os estudantes que participaram das pesquisas não tiveram muita dificuldade em identificar o problema na escola. "Só o nome era novo", diz. "Deparei com histórias tristes, de crianças e jovens que sofriam calados todo tipo de agressão", comenta. No programa da Abrapia, os professores foram orientados a, primeiramente, promover a conscientização das turmas sobre o bullying. "Se não fizermos isso, todos vão continuar com o que, para eles, é apenas uma brincadeira", explica a diretora Maria das Graças.
Na Thomas Mann, todos os casos vão parar na direção. E não é terrorismo, não. Na sala da diretora, a garotada entra e sai à vontade, mostrando confiança e desembaraço. Ir para a direção, lá, não significa uma punição. "Converso com todos os alunos e promovo o entendimento, o respeito", diz Maria das Graças. Nas reuniões pedagógicas, o assunto surge naturalmente, e os docentes contam como lidaram com os incidentes ocorridos em classe e discutem atividades feitas pelas turmas.
Cada professor busca em sua disciplina um gancho para trabalhar o tema. Assim, a professora de Artes monta os cartazes da campanha contra o bullying, que são dispostos nas paredes da escola. Em História, é trabalhada a questão do negro e do racismo no Brasil, que também é um dos motivos do fenômeno. Já a Geografia estuda os fatores políticos e econômicos que traçam os caminhos da desigualdade no Brasil.
Os professores observam o comportamento da turma e fazem perguntas para identificar possíveis vítimas e autores. Ao surgir uma situação em sala, a intervenção é imediata. Interrompese a aula para colocar o assunto em discussão e relembrar os combinados. "Se algo ocorre e o professor se omite ou até mesmo dá uma risadinha por causa de uma piada ou de um comentário, vai pelo caminho errado. Ele deve ser o primeiro a mostrar respeito e dar o exemplo", diz Aramis.
O bullying também pode ser praticado por meios eletrônicos. Mensagens difamatórias ou ameaçadoras circulam por emails, sites, blogs (os diários virtuais), pagers e celulares. É quase uma extensão do que dizem e fazem na escola, mas com o agravante de que a vítima não está cara a cara com o agressor, o que aumenta a crueldade dos comentários e das ameaças. Quando a agressão está num mundo virtual, o melhor remédio é, mais uma vez, a conversa. Se crianças e adolescentes confiam nos adultos que os cercam, podem contar sobre o bullying sem medo de represálias, uma vez que terão a certeza de encontrar ajuda.
De modo geral, entre os meninos é mais fácil identificar um possível autor de bullying, pois suas ações são mais expansivas e agressivas. Eles chutam, gritam, empurram, batem. São os fortões, os temíveis. Já no universo feminino, o problema se apresenta de forma mais velada. As manifestações entre elas podem ser fofoquinhas, boatos, olhares, sussurros, exclusão. "As garotas raramente dizem por que fazem isso. Quem sofre não sabe o motivo e se sente culpada", explica a pesquisadora norte americana Rachel Simmons, especialista em bullying feminino.
Ela conta que as meninas agem dessa forma porque esperase que sejam boazinhas, dóceis e sempre passivas. Para demonstrar qualquer sentimento contrário, elas utilizam meios mais discretos, mas não menos prejudiciais. "É preciso reconhecer que as garotas também sentem raiva. A agressividade é natural no ser humano, mas elas são forçadas a encontrar outros meios — além dos físicos —para se expressar", diz Rachel.
Sejam meninos, meninas, crianças ou adolescentes, é preciso evitar o sofrimento dos estudantes. A pesquisa da Abrapia revela que 41,6% das vítimas nunca procuraram ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas. "Às vezes, quando o aluno resolve conversar, não recebe a atenção necessária, pois a escola não acha o problema grave e deixa passar", alerta Aramis.
No caso daqueles que recorrem à família, a ajuda também não é eficaz. Se os pais reclamam, a direção e os professores tomam medidas pontuais, sem desenvolver um trabalho generalizado, permitindo que o problema se repita. "A escola não deve ser apenas um local de ensino formal, mas também de formação cidadã, de direitos e deveres, amizade, cooperação e solidariedade. Agir contra o bullying é uma forma barata e eficiente de diminuir a violência entre estudantes e na sociedade", conclui o pediatra.
Para um ambiente saudável na escola, é fundamental: Esclarecer o que é bullying. Avisar que a prática não é tolerada. Conversar com os alunos e escutar atentamente reclamações ou sugestões. Estimular os estudantes a informar os casos. Reconhecer e valorizar as atitudes da garotada no combate ao problema. Identificar possíveis agressores e vítimas. Acompanhar o desenvolvimento de cada um. Criar com os estudantes regras de disciplina para a classe em coerência com o regimento escolar. Estimular lideranças positivas entre os alunos, prevenindo futuros casos. Interferir diretamente nos grupos, o quanto antes, para quebrar a dinâmica de bullying. Prestar atenção nos mais tímidos e calados. Geralmente as vítimas se retraem.
O termo bullying tem origem na palavra inglesa bully, que significa valentão, brigão. Como verbo, significa ameaçar, amedrontar, tiranizar, oprimir, intimidar, maltratar. O primeiro a relacionar a palavra ao fenômeno foi Dan Olweus, professor da Universidade da Noruega. Ao pesquisar as tendências suicidas entre adolescentes, Olweus descobriu que a maioria desses jovens tinha sofrido algum tipo de ameaça e que, portanto, bullying era um mal a combater. Ainda não existe termo equivalente em português, mas alguns psicólogos estudiosos do assunto o denominam "violência moral", "vitimização" ou "maltrato entre pares", uma vez que se trata de um fenômeno de grupo em que a agressão acontece entre iguais - no caso, estudantes. Como é um assunto estudado há pouco tempo (as primeiras pesquisas são da década de 1990), cada país ainda tem de encontrar uma palavra, em sua própria língua, que tenha esse significado tão amplo.

A DISCRETA FARSA DA BURGUESIA

Como uma obra se torna um clássico? No caso dos livros de história, alguns são elevados a essa categoria porque trazem uma pesquisa de fôlego e uma descrição reveladora da realidade. Outros viram referência porque, além da força da análise, criam um método novo e revolucionário para a compreensão da história. O 18 Brumário de Luís Bonaparte pertence ao segundo tipo. Seu autor é o alemão Karl Marx, filósofo, sociólogo, historiador e economista que nasceu na cidade de Trier, em 1818, e ficou eternizado como o grande teórico do comunismo.
Publicado em 1852, o texto descreve um golpe de Estado recémocorrido na França. Carlos Luís Napoleão Bonaparte, eleito presidente do país em 1848, resolveu impor uma ditadura três anos depois. A data escolhida para o golpe foi 2 de dezembro de 1851, aniversário de 47 anos da coroação de seu tio, o general e estadista Napoleão Bonaparte, como imperador da França. Essa repetição de Napoleões no poder inspirou Marx a formular a célebre frase com que abre seu texto, citando outro importante filósofo alemão: “Hegel observa em uma de suas obras que todos os fatos e personagens de grande importância na história do mundo ocorrem, por assim dizer, duas vezes. E esqueceuse de acrescentar: a primeira vez como tragédia, a segunda como farsa”.
A ironia de Marx está presente até no título do livro. Anos antes de se tornar imperador, o primeiro Napoleão também havia dado um golpe de Estado, em 9 de novembro de 1799, com o qual se tornou cônsul da França. No curioso calendário que o país havia adotado após a revolução de 1789, essa data correspondia ao dia 18 do mês de brumário. Ao chamar a obra de O 18 Brumário de Luís Bonaparte, Marx indica que o golpe dado por Napoleão III era apenas uma cópia daquele que fora dado antes por seu célebre tio.
          Apesar de ter ficado famosa, essa forma de olhar para as “coincidências” históricas, em que a nova versão se transforma em caricatura, não é a idéia principal de Marx no texto. O que ele fez de mais revolucionário foi perceber, analisando aqueles fatos que haviam acabado de acontecer, que “os homens fazem sua própria história, mas não a fazem como querem; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado”. Ou seja: apesar de serem atores da história, as pessoas só são capazes de agir nos limites que a realidade impõe.
Os atos individuais não ocupam papel central na visão de Marx. Para ele, o motor da história é a luta entre as classes sociais, responsável por produzir as transformações mais importantes. De um lado, estão sempre os dominadores. De outro, sempre os dominados. Os primeiros são os que detêm os “meios de produção” (terra, propriedade privada, máquinas, indústrias etc.). Já os segundos são aqueles que só possuem a própria força de trabalho e que, para sobreviver, são forçados à servidão. Na Antiguidade, esse posto tinha pertencido aos escravos. No feudalismo, aos servos. Já no capitalismo, essa classe é formada pelos trabalhadores assalariados – o chamado proletariado, que vende sua força de trabalho para a burguesia.
Ao contemplar sua própria época, Marx via um confronto revolucionário no horizonte, provocado por essa distribuição injusta das posses, opondo os burgueses aos proletários. Nem era preciso olhar muito longe para entender que sua interpretação da história fazia bastante sentido. Para os pensadores do século 19, a Revolução Francesa era a grande referência. Segundo Marx, ela marcou a mudança de posição da burguesia no grande jogo. Voltando no tempo, essa classe social já tinha sido revolucionária, quando seus interesses econômicos, que se expandiam pelo menos desde o fim da Idade Média, encontraram no parasitismo da nobreza um enorme empecilho. Ao derrubar a monarquia, a burguesia foi se transformando aos poucos, em toda a Europa e depois no resto do mundo, na nova classe dominante. Assim, deixou de ser revolucionária e se tornou conservadora, preocupada em manter a ordem vigente.
Depois da ascensão da burguesia, o proletariado tomou seu lugar como classe oprimida e, portanto, potencialmente revolucionária. Nessa nova situação, ficou ainda mais claro que todo processo de acumulação de riqueza exige, para se concretizar, uma usurpação. Para que existam ricos, é necessário que existam pobres – esse é simplificadamente, o raciocínio que Marx aplica a toda a história. Difícil é discordar dele.
Três anos antes de publicar O 18 Brumário de Luís Bonaparte, Marx escrevera, na companhia de seu amigo Friedrich Engels (veja quadro ao lado) um panfleto intitulado Manifesto do Partido Comunista. Nele, os dois explicam de forma resumida suas principais intuições sobre a dinâmica da história e interpretam as grandes transformações impostas pela burguesia. Segundo eles, para vender seus produtos, a burguesia precisava “instalarse em todos os lugares, acomodarse em todos os lugares, estabelecer conexões em todos os lugares”. Por causa disso, prosseguem, “a burguesia, através de sua exploração do mercado mundial, deu um caráter cosmopolita para a produção e o consumo em todos os países”. Raciocínios como esse, de extrema lucidez, se mantêm atualíssimos sem que seja preciso alterar uma vírgula sequer. O que era fato em 1848 continua a sêlo – talvez ainda mais.
Apesar de ser um tanto complexo para o leitor atual, o texto pretendia explicar para as massas de trabalhadores a estratégia de dominação usada pela burguesia para se perpetuar no poder. Esse “esclarecimento” era parte de um programa revolucionário: consciente de sua situação, o proletariado teria enfim condições de se rebelar contra a burguesia. Seriam, mais uma vez, os dominados se voltando contra os dominadores. A revolução proletária seria um grande passo para que se adotasse o comunismo, regime político que acabaria com a propriedade privada e com as classes sociais.
Os conceitos lançados no Manifesto do Partido Comunista também estão presentes em O 18 Brumário de Luís Bonaparte. Mas, dessa vez, o desafio era interpretar acontecimentos recentes e bem conhecidos a partir de teorias que ainda estavam em formação. Ao analisar o golpe, Marx estava testando a solidez de suas idéias. E o que ele fez foi demonstrar que a atitude do sobrinho de Napoleão tinha sido apenas um resultado natural, quase previsível, dos rumos que a história da França estava tomando desde a revolução de 1789.
Ao falar da França de meados do século 19, Marx descreve toda a estratégia política, militar e institucional da burguesia francesa como um processo em que ela toma para si algo que, supostamente, deveria ser de todos: o Estado. Se Napoleão Bonaparte tinha imposto um Estado forte, imperial e expansionista, ele o fez não em benefício do povo, mas a serviço de uma só classe, a burguesia. Essa havia sido a “tragédia”. A “farsa” veio quando Luís Bonaparte, com um golpe de Estado, se transforma em Napoleão III. Para conseguir o poder, ele foi beneficiado por alianças entre partidos burgueses – o que, segundo descreve Marx, significou trair as lideranças proletárias e tirálas do governo.
A engenhosa argumentação de O 18 Brumário de Luís Bonaparte descreve a democracia como um imenso tabuleiro, em que os interesses de diferentes classes são manipulados sob o mecanismo de representação do povo por políticos – uma fórmula normalmente tida como justa. Depois de ler o livro, é difícil deixar de perceber que essa forma de governo, presente até hoje, oculta uma imensa engenharia de pequenos acordos. Olhando desse modo, as repúblicas modernas, aparentemente legítimas, serviriam apenas aos burgueses.
Ao falar de Napoleão III, Marx constrói a imagem de um herói de araque posando com a fantasia de grande estadista, governando em nome da dominação da burguesia sobre as outras classes. Segundo disse o amigo Engels ao escrever o prefácio da obra, 30 anos após seu lançamento, “essa notável compreensão da história viva da época, essa lúcida apreciação dos acontecimentos ao tempo em que se desenrolavam, é, realmente, sem paralelo”. De fato, é impressionante como Marx foi capaz de olhar um momento específico e tirar dele uma explicação consistente para o modo como a política é feita no capitalismo. O modelo dos golpes napoleônicos estava pronto para muitos que vieram depois. E, desde então, a história continua a se desenrolar cada vez menos como tragédia e quase sempre como farsa.
Companheiro de luta Engels era um bom parceiro intelectual e ainda emprestava dinheiro. Muitas histórias nunca teriam acontecido se algumas duplas não tivessem se encontrado. O que teria sido, por exemplo, do cristianismo sem Adão e Eva? Ou da comédia sem o Gordo e o Magro? Ou do desenho animado sem Tom e Jerry? Pois o comunismo, como o conhecemos, não existiria sem o encontro de Karl Marx com Friedrich Engels. Filho de um industrial alemão, Engels nasceu dois anos depois de seu camarada, em 1820. Em 1844, publicou um texto chamado Esboço de uma Crítica da Economia Política, que influenciou decisivamente o pensamento do jovem Marx. Naquela obra, Engels analisava as conseqüências das más condições de vida do proletariado e da utilização de sua força de trabalho pela burguesia. Apesar de oriundo do meio burguês, ele conhecia de perto a situação precária dos trabalhadores, pois cuidava de uma das fábricas do pai em Manchester, na Inglaterra. Depois de se aproximarem, os dois jovens se associaram para escrever o Manifesto do Partido Comunista, publicado em 1848, texto que rapidamente virou referência para a esquerda de vários países. E a relação entre ambos não demorou a passar do plano teórico para o pessoal. Foi o apoio financeiro de Engels que permitiu a Marx sobreviver em Londres, onde havia se instalado em 1849, e ali dar continuidade a sua enorme produção teórica. Depois da morte do parceiro, em 1883, o cuidado de Engels foi fundamental para que o mundo viesse a conhecer na íntegra a obra mais famosa de Marx: ele editou e publicou o segundo e o terceiro volumes de O Capital, que haviam sido deixados inacabados pelo autor. Até morrer, em 1895, Engels seguiu escrevendo – fez, inclusive, prefácios de novas edições dos livros de Marx.

Saiba mais: Livro O 18 Brumário e Cartas a Kugelmann, Karl Marx, Paz e Terra, 1997.

A VIOLÊNCIA PODE DAR LUGAR A PAZ

Paz e Amor!
Nestes tempos difíceis, somos desafiados a compreender por que se repetem episódios de agressão nas escolas e contra elas. Nós, educadores, devemos rejeitar diagnósticos simplistas e superar propostas de mera repressão, pois sabemos que a escola não é uma ilha apartada do contexto social e tudo o que nela ocorre tem também caráter educacional. Nesse sentido, ora vemos seus problemas serem resolvidos em ambientes de diálogo, ora percebemos que impera o descontrole de conflitos. Distinguir essas duas situações pode evitar que um espaço de trabalho se degenere e venha a se tornar agressivo e violento.
Podemos comparar a paz necessária ao ensino com a vitalidade indispensável à vida humana. Saúde não é a estática ausência de doenças, mas uma condição dinâmica de funções vitais que se realizam e se recompõem. Isso fica claro quando, por exemplo, um ferimento se cicatriza ou nosso corpo supera resfriados e intoxicações sem deixar que se agravem. Do mesmo modo, paz não é ausência de tensões, mas a capacidade de evitá‐las e resolvê‐las. Uma escola gera a harmonia se decide enfrentar seus dilemas e conflitos para fazer o que dela se espera: formar as crianças e os jovens que recebe, promovendo conhecimentos, habilidades e valores.
Essa analogia vale também pela sua negativa, pois, da mesma forma que longas frustrações comprometem a saúde pessoal, a tranquilidade é ameaçada numa situação em que não se aprende, já que se sentem privados tanto alunos como pais e professores. Ao ver a depredação de estabelecimentos de ensino nos noticiários da TV e incidentes ocorridos dentro de seus muros relatados nas colunas policiais dos jornais, é inevitável a comparação com rebeliões e crimes em presídios. Ambos os fatos têm em comum o descrédito de instituições que, em princípio, deveriam preparar ou recuperar as pessoas para o convívio em sociedade. Nos dois casos, a falta de respeito por um bem público ou pela vida decorre da desesperança.
É falsa a generalização de que se possa creditar tudo isso à pobreza, pois sei de unidades da rede pública em áreas de risco que fazem um ótimo trabalho ao lado de outras que se omitem atrás de desculpas. As primeiras aprenderam a lidar com casos de gravidez na adolescência, com abuso de drogas e com dificuldades na aprendizagem por maus tratos domésticos, e isso sem abrir mão de que as aulas sejam de fato dadas e que nelas os estudantes se envolvam e se desenvolvam, habituando‐se a conviver com regras claras e compreendidas por todos. Essas instituições reconhecem como suas as dificuldades educacionais ou sociais enfrentadas no dia‐a‐dia ‐ nas mesmas condições adversas em que outras sucumbiriam ‐ e provavelmente por isso não são cenários de violência entre as pessoas ou contra suas instalações.
Seus educadores não se consideram heróis ou mártires, e se algo os distingue é seu sentido de pertencimento à escola e vice‐versa. Professores, coordenação e direção constituem uma efetiva equipe e alguns integrantes mais experientes ou há mais tempo na unidade respondem pela memória e pelo compromisso institucional, ou seja, seu corpo docente é realmente um corpo, e isso nos traz de volta à comparação entre paz e saúde.
Quando a escola tem esse saudável compromisso com sua função social, pode receber tensões do entorno e se deparar com os mesmos problemas que outras, mas os ataca para que não se tornem crônicos e não permite que essa atmosfera negativa contamine o convívio e as relações de aprendizagem. Não se trata de maquiar desigualdades ‐que precisam ser enfrentadas na escola e fora dela ‐ ou glorificar a pobreza, mas reconhecer o bom combate da Educação travado nas circunstâncias em que ele é mais difícil. A isso se chama paz.

domingo, 3 de julho de 2011

HISTÓRIA ATRAVÉS DE IMAGENS

Suicídio coletivo da Seita de Jim Jones

Corcovado antes do Cristo Redentor

O Barão Vermelho

Billy The Kidd

Bonnie e Clyde

Chaplin e Ghandi

Che Guevara morto

Chuck Norris e Bruce Lee

Evolução da Coca-cola

Assassinato do Líder Chinês do Kuomintag

Dubai ontem

Dubai hoje

Boletim do Einstein

Elvis Morreu!

Não me mate!

Rara imagem da Guerra do Paraguai

Suposta imagem de Hitler morto

O 1º Macdonalds

Trajes de banho no inicio do Século XX

Olha o Sílvio Santos aí gente!

IMAGENS QUE FALAM

Cinzas em Bariloche

Veja porque é necessário não voar....

A mãe natureza não perdoa...

Cinzas...

Bariloche

domingo, 26 de junho de 2011

PAZ NO TRÂNSITO EM DOM PEDRITO

ACREDITO QUE ESTA IMAGEM DIZ TUDO!